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domingo, 22 de agosto de 2010

"Prato do dia"





Estou devendo esta postagem há um tempo, já que algumas receitas recentes aqui publicadas foram adaptadas da Tiça Magalhães, uma chef carioca super-viajada, que resolveu salvar nossas vidas com receitas didáticas e explicadas nos mínimos detalhes. Algumas que fiz por aqui são:
Yakisoba
Molho pesto
Aproveitem!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cortando Cebola


De novo, uma poesia super-emocionante da Elisa...

"CORTANDO CEBOLA

Eu tava na beira do fogão

Preparo diário de alimento

Mas nesse dia era tempero de agonia

Nesse dia o que havia era profusão de lágrimas

saídas dos olhos

caídas lá embaixo

no térreo infinito do fundo das panelas

Eu que era artista sem dinheiro, aquela

E o talento esburrando como leite

esquecido exagerado de fervido

Eu era amigo de meu próprio peito

que estava quase abandonando a causa

Minha alma picadinha junto ao coentro

esquartejava meu anjo da guarda

como quem desossa uma galinha

sozinha, chorando sobre a solidão das vasilhas

tão melhor do que a minha

Eu que agora pareço que padeço

de não ter a natureza a meu favor.

Não ter a companhia dos legumes e das verduras

não sei se haverá comida amanhã

Só porque assumi ser artista

E não puta ou vilã de meu país

que é um universo

Desconverso comigo e pranteio a pia

Sem alvoroço, sem soluço

Só um percurso de rio constante e silencioso

se forma no meu rosto.

No quarto, o filho brinca distraído

Um grito mudo se refoga na minha fala

até a chegada da cara sagrada do filho à porta

Ia me pedir alguma coisa da função mãe...

Disse: põe seu prato, se vista, mas me poupe, me deixe quieta

Disse e fiquei parada

Olhando pra cor de sol que tem às vezes uma cenoura.

Meu filho responde então: tá bem, mãe, mas...

(olha pros meus olhos e pros da cenoura)

jura, jura mãe, que cê tá cortando cebola?"

Elisa Lucinda


Foto: http://standby.spaceblog.com.br/3/

terça-feira, 6 de julho de 2010

Crônica da Elisa Lucinda

Eu me identifico demais com a Elisa Lucinda. Não sei se é pelo mesmo carinho que ambas nutrimos pelo Espírito Santo (terra em que nasci e na qual quero morrer), ou se é pelo nosso amor incondicional pela cozinha. Na última edição de "Veja - Espírito Santo", Elisa fez uma crônica perfeita sobre as memórias trazidas pela comida. E eu, como ela, também lembro das tias preparando as ceias de Natal, das flores feitas de tomate da Tia Eloá, do bolo gelado da Tia Dedéia, do pavê de bombom da minha madrinha, do manjar de coco da Tia Lenir, das compotas de figo da Vovó Lina, do feijãozinho temperado da Vovó Nininha, do minestrone do papai e, o mais importante para mim, do lagarto assado com creme de milho da mamãe, o qual não pode faltar no meu Natal...
Vocês PRECISAM ler o texto. É perfeito. Não há como não puxar da memória alguma boa lembrança culinária.
Se você ler o texto, vai ficar com a mesma curiosidade sobre a música que a mãe de Elisa cantava. Pois eu pesquisei. Parece música de mãe, mesmo... Aposto que minha mãe cantava. Segue o áudio:

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Aperitivo para a Copa

Eu sei, eu sei que o nosso compromisso com o blog é exaltar a cozinha e tudo que dela deriva. Mas como passar incólume diante do assunto que mobiliza o mundo? Por isso hoje vou abrir uma exceção e postar uma poesia linda e super pertinente ao momento em que vivemos.

Eu tenho o maior orgulho da Elisa Lucinda (sou super-fã, de ir aos shows, ter autógrafo em livro e tudo.). Principalmente por ela ser capixaba (este povo tão esquecido, primos-pobres do Sudeste) e fazer sua estrela brilhar nos grandes centros. Essa poesia é do livro “O semelhante”, Editora Record.


POR MEA COPA, MEA MÁXIMA COPA

"Vence, Brasil

porque nos falta comunhão

comungação, espelho de pátria, determinação

Falta mãe

Falta pai

É estado de orfandade geral

Goleia que meu peito

arde ao ver o avental

verde-amarelo-azul-e-branco

da Idolatrada

Só porque você joga

há uma hora em que tudo roga

Cada gol

é um peito

uma benção

um beijo de mãe no antigo machucado.

Cada beijo é um recado

deixado ao filho que não foge à luta

porque é filho que labuta.

A vitória agora é ninho, carinho

uma demarcação

É a criação de um destino

pela noção de Nação."


E, para não desapontar os fãs do blog (milhares, rsrsrs), aí vai uma receitinha muito saborosa para beliscar durante os jogos. Não vou mentir: ela é fácil mas um pouco trabalhosa. Faça quando tiver tempo e paciência. A vantagem é que rende muuuuito e dá para congelar, ou seja, o Brasil vai chegar na final e você ainda vai estar comendo o enroladinho...

Enroladinho de mortadela



Ingredientes :

Massa :

  • 1 tablete de fermento biológico (15g)
  • 1 xícara (chá) de leite
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 colher (sopa) de açúcar
  • ¼ xícara (chá) de óleo
  • 1 ovo
  • 4 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 gema batida para pincelar

Recheio :

  • 500g de mortadela cortada em retângulos de 5cm x 1cm

Em uma tigela, dissolva o fermento no leite morno. Misture o restante dos ingredientes. Sove a massa até ficar macia e homogênea. Cubra com um pano e deixe descansar até dobrar de volume. Abra a massa com um rolo, corte tirinhas e enrole-as nos retângulos de mortadela. Distribua-os em uma assadeira, pincele a gema e asse em forno pré-aquecido durante 30 minutos ou até dourar. Sirva em seguida.

OBS : se quiser congelar, é só tirar do forno antes de dourar. Para descongelar, volte ao forno até dourar completamente...